La negra y la rosa - Juan Ramón Jiménez

"Una realidad invisible anda por todo el subterráneo, cuyo estrepitoso negror rechinante, sucio y cálido, apenas se siente. Todos han desejado sus periódicos, sus gomas y sus gritos; están absortos, como en una pesadilla de cansancio y de tristeza, en esta rosa blanca que la negra exalta y que es como la conciencia del subterráneo." - La negra y la rosa - Juan Ramón Jiménez

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Princesa Isadora

Isadora era uma princesa completamente diferente do que toda a monarquia poderia apresentar. Sua cor favorita não era o rosa ou azul celeste, era o cinza. O cinza que era o não e o sim ao mesmo tempo, que era o talvez ao vivo e a cores ou à falta delas.


Dias de sol e passeios em lagos não a animavam como dias nublados e banhos de chuva. Ai... a chuva. Não havia cena que a encantasse mais que a chuva, encantamento é mesmo uma palavra que combina com as sombras da princesa.

Gostava de dias cinza porque a deixavam melancólica, triste, e ela achava a tristeza linda. Não a tristeza que faz doer fundo, que parece explodir uma bomba de dentro para fora. Se bem que se fosse uma bomba de chocolate com o barulhinho da chuva na janela, bem que seria gostoso... Ela gostava mesmo era da tristeza que cria, que paralisa, que emociona, que dá taquicardia.

Ela sabia, como ninguém, sentar à janela com uma música azul ao fundo, as luzes apagadas, vendo as nuvens se espremerem lá do céu só pra ela suspirar e imaginar coisas que só podia com esse cenário.

Isadora era completamente atrapalhada e sem saber nada do que queria, sabia o que esperar da vida: não esperar nada ou quem sabe tudo. Quem sabe? Não se sabe... Nem queria saber, gostava de surpresas, de desafios que a levassem ao desatino e brincassem de fazê-la sentir 12 tipos de frio na barriga. O frio, o fio, o tempo, coisas que também encantavam Isadora. Isadora gostava de coisas, mas gostava de gente também e mais ainda de bichos. Gatos eram os seus preferidos, só para ela havia sete, um de cada jeito, com um balançar único sobre muros e telhados. Gostava das borboletas azuis e amarelas e também de margaridas. As margaridas eram tão simpáticas. Mas de tudo isso, o que ela mais gostava mesmo era de sua torre alta, porque lá podia se isolar de tudo e todos e ser triste ou feliz ou o que desse na telha do telhado da torre. Sua torre? Os livros.

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